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Inquérito às Condições de Vida e do Rendimento (ICOR 2018) – Análise de dados provisórios

A publicação dos resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) é um momento-chave para conhecer a evolução da pobreza e exclusão social no território nacional, uma vez que esta é a única fonte de informação estatística, neste domínio, representativa da população nacional. O objetivo deste relatório é fazer uma análise dos resultados provisórios do ICOR 20181, procurando dar a conhecer a sua evolução desde 2003 e compreender as tendências associadas às mais recentes alterações. Os dados apresentados apontam para uma melhoria significativa dos indicadores referentes aos rendimentos e às condições de vida em 2017/2018 face aos anos anteriores: o risco de pobreza ou exclusão social atingiu 21,6% da população em 2018, representando uma diminuição de 1,7 pontos percentuais (pp) face o período homólogo; 17,3% dos residentes em Portugal estavam em 2017 em risco de pobreza monetária (menos 1 pp face a 2016); a Intensidade per capita muito reduzida foi de 7,2% (menos 0,8 pp que em 2017); a Privação material severa atingiu 6% da população em 2018 (menos 0,96 pp face ao ano anterior); as desigualdades de rendimento reduziram-se no segundo ano consecutivo. Por detrás destes números temos grupos sociais com evoluções distintas das condições de vida e rendimento, tal como os idosos e as crianças, os empregados e os desempregados. Para compreendermos estas diferenças complementamos a análise dos indicadores do ICOR com outros dados relevantes. O ICOR 2018 é também marcado pela divulgação de dados regionais (NUTS II), permitindo pela primeira vez analisar o risco de pobreza nesta dimensão territorial.

Pobreza e Exclusão Social em Portugal 2016-2017 (EU-SILC 2017)

O ano de 2017 foi marcado por uma melhoria dos resultados nos indicadores de pobreza e de exclusão social, com uma diminuição da taxa de risco de pobreza ou exclusão social, da taxa de risco de pobreza monetária, da intensidade laboral muito reduzida e da privação material severa. A diminuição do risco de pobreza monetária decorre de um aumento dos rendimentos medianos da população, que conduziu também a um aumento do valor do limiar de risco de pobreza. Isto significa que a proporção e o número de pessoas em risco de pobreza diminuiu apesar do aumento do valor do limiar de risco de pobreza monetária, o que sugere uma melhoria efetiva no rendimento disponível das famílias. No entanto, esta melhoria não afeta a população portuguesa de forma homogénea. Se para a maior parte dos grupos em análise neste inquérito se verifica uma melhoria efetiva no resultado dos indicadores de pobreza e exclusão, alguns grupos sociais viram a sua situação de vulnerabilidade agravar-se. Destaca-se em particular a situação das famílias monoparentais, que se fragilizou em todas dimensões analisadas – na privação material severa, na intensidade laboral muito reduzida, no risco de pobreza -, concluindo-se que mais de 43% da população neste tipo de agregado familiar se encontra em risco de pobreza ou exclusão social.

Este relatório dá conta da evolução dos principais indicadores do ICOR 2017, atendendo à heterogeneidade de tendências que afetam os diferentes grupos sociais e realçando quais desses grupos se encontram em situação de maior vulnerabilidade.